O jogo entre San José x Corinthians no Estádio Jesús Bermúdez tinha tudo pra ser apenas mais uma partida da Libertadores. Até que o adolescente de 14 anos, Kevin Beltrán Espada, foi atingido por um cilindro de plástico (usado em sinalizadores luminosos) que vinha da torcida Corintiana.
O disparo aconteceu logo após o gol do Corinthians e muito se questiona se foi realmente proposital, pois além de todos as provas já recolhidas, o bandeirão da torcida foi estendido logo após o lançamento. A polícia boliviana continua investigando o caso para que o verdadeiro culpado seja preso.
O uso desse tipo de objeto é proibido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e também em diversos países, incluindo o Brasil. Mas se realmente não pode, por que vemos com tanta frequência nas partidas? O clube, a torcida e os responsáveis pela segurança nos estádios devem ser punidos?
Outras tragédias, maiores que essa até, já ocorreram em outros países. Por exemplo o jogo entre Juventus e Liverpool, dia 25 de maio de 1985 no Estádio de Heysel, na Bélgica. As torcidas dos dois times se enfrentaram e deixaram 39 mortos e centenas de feridos. Como punição, os times ingleses ficaram fora das competições internacionais por 5 anos pela violência (a época foi marcada pela forte ação dos hooligans). A punição funcionou e hoje o futebol inglês serve de exemplo para o mundo todo.
No Brasil, quando objetos são atirados, os times sempre são punidos e perdem o mando de campo por alguns jogos. Mas o empate entre Coritiba e Fluminense em Dezembro de 2009, que acabou na queda do time Paranaense para a série b, é o mais violento caso de briga de torcida no futebol brasileiro. A revolta deixou 17 feridos e deu um prejuízo de R$ 500 mil para o estádio. No total, 14 pessoas foram culpadas pela invasão. Todas foram proibidas de entrar em estádios por dois anos, cinco foram obrigadas a pagar mensalmente uma multa de R$ 150 ao clube pelos danos materiais, até este ano e quatro foram condenados a prestar serviços à comunidade.
Em entrevista ao Fantástico, um adolescente de 17 anos assumiu a culpa e declarou não conhecer os 12 homens que foram presos, mesmo que seu sinalizador tivesse o mesmo número de série do deles. Disse que foi comprar jogos em uma famosa rua de São Paulo, viu o artefato e resolveu comprá-lo. Ainda falou que não sabia manusear o objeto, por isso tentou uma vez e na segunda viu que foi em direção a torcida boliviana. Uma perícia feita por especialistas a pedido do programa constatou que o garoto realmente foi o autor do disparo mas contou com a ajuda de outro torcedor. Em nota, o homem disse que não conhecia o menino, apesar de ter viajado para a Bolívia junto com ele.
A Conmebol decretou, primeiramente, que o time paulista jogaria com os portões fechados em São Paulo e, como visitante, a torcida não poderia entrar nos jogos. O Corinthians recorreu e no fim a confederação voltou atrás em sua decisão e deu apenas 1 jogo e o pagamento de quase R$ 400 mil como punição.
06.05.2013 às 17:33